23/02/2010
12/02/2010
Estava aguardando o ônibus, já passava da meia noite. Um rapaz moreno, com os cabelos lisos, parecendo assustado sentou ao seu lado, “próximo demais”, ele pensou. Gostava do contato humano, mas apenas com seus escolhidos e pervertidos; em geral não gostava de ser tocado. Não demorou para que o cordeiro espantado falasse: - Você viu aquelas pessoas sentadas ali na esquina, todas usando roupas com o sinal do demônio? Intrigado, ele perguntou: - Mas o que exatamente são roupas com o sinal do demônio? O garoto prontamente respondeu: - Aquelas roupas pretas, sabe? Com nomes de bandas e desenhos que lembram o demônio. Uma gargalhada disparou por toda sua caixa craniana e para fora dela, ecoando nas ruas vazias da avenida que beirava o mar. Em seguida, com o tom de voz levemente alterado, ele falou:
- Meu rapaz, você e seu Pastor conhecem pouco o Inimigo que os amedronta, nada tema em relação aos garotos, eles são inofensivos, mas, por ironia do destino ou vontade do algum ser maligno, você está aqui, agora, sentado ao lado de um servidor de Samael, o veneno de Deus, e estou marcado por todo o corpo com os sinais de Lúcifer.
- Veja! – levantou suas calças até o joelho – Aqui em minha perna esquerda encontra-se o sinal que marca nosso ódio em relação ao cristianismo, aos cristãos e ao seu Deus, desenhado pela própria Josette Oleander, também conhecida como Lilith of Wraiths, a vampira de sangue azul.
- No meu braço direito estão as queimaduras desenhadas por Leto de Maramures, representante mundana de Azazel, um dos 200 anjos que se rebelaram contra Deus. Seus cortes me queimaram como fogo enquanto eu gritava e desejava mais e mais. Esse é o seu sinal.
- E você? O que é? Não responda! Pois eu o vejo muito bem: é um cordeirinho de Jesus, perdido em meio à noite escura, tremendo de medo pela falta de seu rebanho. Uma ovelha fraca e perdida, esperando ser resgatada por seu Pastor, como registra o Livro Imundo de seu Deus.
[505]. Seu ônibus chegou, ele deu o sinal da parada em silêncio. Virou-se e não disse mais nada, apenas sorriu levemente e entrou no transporte público que o levaria para casa.
Quando sentou-se começou a pensar em como tinha sido divertido assustar o cristão com algumas palavras bobas e que, no dia seguinte, seria ainda mais divertido contar a história aos amigos na mesa do bar e, mais uma vez, rir do pobre cristão. Mas no fundo de sua caixa craniana ele, por um instante, vacilou.
- Eu estava realmente brincando?
- Meu rapaz, você e seu Pastor conhecem pouco o Inimigo que os amedronta, nada tema em relação aos garotos, eles são inofensivos, mas, por ironia do destino ou vontade do algum ser maligno, você está aqui, agora, sentado ao lado de um servidor de Samael, o veneno de Deus, e estou marcado por todo o corpo com os sinais de Lúcifer.
- Veja! – levantou suas calças até o joelho – Aqui em minha perna esquerda encontra-se o sinal que marca nosso ódio em relação ao cristianismo, aos cristãos e ao seu Deus, desenhado pela própria Josette Oleander, também conhecida como Lilith of Wraiths, a vampira de sangue azul.
- No meu braço direito estão as queimaduras desenhadas por Leto de Maramures, representante mundana de Azazel, um dos 200 anjos que se rebelaram contra Deus. Seus cortes me queimaram como fogo enquanto eu gritava e desejava mais e mais. Esse é o seu sinal.
- E você? O que é? Não responda! Pois eu o vejo muito bem: é um cordeirinho de Jesus, perdido em meio à noite escura, tremendo de medo pela falta de seu rebanho. Uma ovelha fraca e perdida, esperando ser resgatada por seu Pastor, como registra o Livro Imundo de seu Deus.
[505]. Seu ônibus chegou, ele deu o sinal da parada em silêncio. Virou-se e não disse mais nada, apenas sorriu levemente e entrou no transporte público que o levaria para casa.
Quando sentou-se começou a pensar em como tinha sido divertido assustar o cristão com algumas palavras bobas e que, no dia seguinte, seria ainda mais divertido contar a história aos amigos na mesa do bar e, mais uma vez, rir do pobre cristão. Mas no fundo de sua caixa craniana ele, por um instante, vacilou.
- Eu estava realmente brincando?
11/02/2010
A televisão mostrava a cidade, suas ruas movimentadas iam sendo cruzadas, como se observadas por alguém que é carregado por um veículo, sem a preocupação em dirigi-lo, alguém que é apenas levado. Não se ouvia o barulho real da cidade, apenas uma música melancólica, que servia de trilha sonora para aquele mundo de concreto e gente.
Estranho. Notou que o passar dos dias causava-lhe a mesma sensação que o cinema tentava reproduzir na TV. Os dias passavam, cinzas e musicados.
Em certos momentos algumas janelas se abriam e ele entrava. Sabia que sua permanência ali seria temporária, mas alegrava-se por entrar. Uma vez lá dentro podia falar, beber, trabalhar, transar e sorrir. Porém, a mesma alegria que lhe proporcionava a passagem para fora era sentida na sua inevitável fuga de volta para dentro. Alguns poderiam comentar sobre sua alegria, nomeá-la “felicidade de transição”, e não estariam errados. Mas os dois mundos também o agonizavam, em muitos momentos se tornavam intoleráveis, nessas horas seus sentidos o machucavam, especialmente a audição – o barulho se tornava insuportável.
Os do lado de fora tinham dificuldade em compreender porque os mesmos sons que, até então, haviam embalado sua dança já não eram mais suportáveis; e estranhavam suas fugas repentinas.
Apático ele via a cidade, suas ruas movimentadas iam sendo atravessadas, observadas por alguém carregado por um veículo sem a preocupação de dirigi-lo, alguém que é apenas levado. Não escutava o barulho real da cidade, apenas sua própria música, melancólica, maléfica e veloz, que servia de trilha sonora para seu mundo de sombras.
Estranho. Notou que o passar dos dias causava-lhe a mesma sensação que o cinema tentava reproduzir na TV. Os dias passavam, cinzas e musicados.
Em certos momentos algumas janelas se abriam e ele entrava. Sabia que sua permanência ali seria temporária, mas alegrava-se por entrar. Uma vez lá dentro podia falar, beber, trabalhar, transar e sorrir. Porém, a mesma alegria que lhe proporcionava a passagem para fora era sentida na sua inevitável fuga de volta para dentro. Alguns poderiam comentar sobre sua alegria, nomeá-la “felicidade de transição”, e não estariam errados. Mas os dois mundos também o agonizavam, em muitos momentos se tornavam intoleráveis, nessas horas seus sentidos o machucavam, especialmente a audição – o barulho se tornava insuportável.
Os do lado de fora tinham dificuldade em compreender porque os mesmos sons que, até então, haviam embalado sua dança já não eram mais suportáveis; e estranhavam suas fugas repentinas.
Apático ele via a cidade, suas ruas movimentadas iam sendo atravessadas, observadas por alguém carregado por um veículo sem a preocupação de dirigi-lo, alguém que é apenas levado. Não escutava o barulho real da cidade, apenas sua própria música, melancólica, maléfica e veloz, que servia de trilha sonora para seu mundo de sombras.
09/02/2010
e a gilete os cortava, desenhando diretamente em suas peles os nomes sussurados por Ele: Samael, Mephistopheles, Adramelech, Typhon, Set, Azazel, Diabolus, Lilith, Lucifer, Cid Vicious, Lennon, Nietzsche.
lambiam o sangue um do outro em meio ao público horrorizado e descobriam nas iniciais da melodia que tanto os seduzia o segredo do hoje: MarsVolta – Vontade de Morrer – Vontade de Matar.
o caçador de Samael não caçava mais sozinho. desajeitada, mas perigosamente, formava um duplo: extremismo, bissexual, el@, puta, travesti, Rainha, Senhor, submissa, escravo e vampiros: nós.
o caçador de Samael não caçava mais sozinho. desajeitada, mas perigosamente, formava um duplo: extremismo, bissexual, el@, puta, travesti, Rainha, Senhor, submissa, escravo e vampiros: nós.
[olhos-malígnos-mãos-pretas-pernas-arqueadas-coração-de-pedra-dedos-de-garra-
barriga-nojenta-sedento-de-sangue]
01/02/2010
Por duas semanas esperou, durante cerca de 5 ou 6 horas por dia, naquele desagradável terreno baldio, mas nada ainda havia chamado sua atenção. Apenas homens cansados voltando de seus trabalhos enfadonhos, mulheres amarguradas e velhas, além de adolescentes inegavelmente estúpidas, que apenas tornariam vil todo o esforço que havia feito para colocar em ação seu plano. Constantemente observava as mesmas pessoas indo e vindo, já pensava em desistir quando ela surgiu. Ele já não estava mais em seu esconderijo de terra e mato quando a viu pela primeira vez, estava na rua, voltando pra casa, frustrado com mais um dia de espera inútil. Ela esbanjava vontade de viver, alegria de existir, jovialidade, sorria, apesar da solidão, usava uma pequena saia que lembrava o tipo de pano utilizado pelos uniformes do exército e uma camiseta branca. Andava como se a terra fosse leve e inofensiva; quase saltitava, como um animal silvestre, pronto a ser caçado. Foi preciso rapidamente voltar ao terreno. Aproximar-se dela e agarrá-la não foi difícil, pois era noite e o aparelho musical com fones de ouvido utilizado pela garota não a permitiu ouvi-lo se aproximar. Helena, era o seu nome.
Seu primeiro objetivo era capturar um ser humano vivo. E com “vivo” obviamente não se referia às vidas enfadonhas que atravessavam todos os dias não apenas o “seu” terreno baldio, mas também a “sua” vida. Queria enforcá-la, sem dúvida, era essa sua intenção principal. Mas agora que a tinha em suas mãos, paralisada de pavor, sentia todos os órgãos de seu corpo saltarem para a Vida como uma proliferação de parasitas que acabaram de encontrar um novo hospedeiro. Agora, não era apenas Helena quem não pertencia à raça dos zumbis, também ele renascia por meio do pavor, do medo e desejava, simplesmente desejava, como nunca havia desejado antes. Desejava possuí-la, amá-la, aterrorizá-la e, finalmente, estrangulá-la. Seu primeiro desejo foi ver que tipo de calcinha ela usava, mandou que abrisse as pernas e descobriu, com prazer, uma pequenina calcinha de renda branca com laços nas laterais. A parte da frente da era de renda e permitia ver, perfeitamente, sua bocetinha. Ele a avisou que sua vida dependia do seu silêncio. Permitiu-lhe chorar um pouco, desde que de forma baixa e contida.
Antes de começar seu trabalho sussurrou em seu ouvido esquerdo: “eu sou a criatura das sombras, no escuro me mantenho, o Inferno é a única verdade em minha vida e, você, você é minha estrela da manhã”. Helena agora pertencia não apenas à criatura, mas também a Samael. A criatura não retirou sua calcinha, apenas a colocou de lado e lambeu sua boceta violentamente, como um cachorro faminto. H. não emitiu nenhum som, exceto talvez alguns pequenos gemidos, que pareciam conter mais prazer do que asco ou desespero. Depois disso, a criatura colocou seu pequeno corpo de quatro e enfiou seu caralho com tudo em seu cu. H. gritou, e imediatamente foi punida com um corte no rosto. “Não grite cadela”, disse a criatura. Helena foi enrabada ainda com as costas e a bunda sujas de terra. A criatura, por vezes, retirava seu pênis por completo do seu cu, o que dava a ela a idéia de que aquilo havia finalmente terminado, mas, em seguida, começava novamente, sem qualquer reconhecimento de sua dor e da extrema ardência que sentia, especialmente durante a primeira enterrada. Ao encerrar a longa fase da penetração anal Helena havia sujado o pau da criatura, que imediatamente ordenou que ela limpasse sua própria sujeira com a boca. Com algum asco, Helena foi obrigada a engolir seus próprios dejetos. A criatura a revirou novamente de frente e observou, com prazer, seus joelhos brancos ralados, bem como seu cotovelo e seu rosto sujos de terra. Logo as mãos da criatura se dirigiram ao seu pescoço, tão rapidamente como seu pênis penetrou sua boceta, que agora estava muito molhada. Ela a fodia e, ao mesmo tempo, a enforcava com as duas mãos, usando o peso de seu corpo. Tomava cuidado para, em certos momentos, liberar sua respiração, pois não desejava sua morte agora . Os olhos de H. estavam cheio de lágrimas, mas sua boceta às vezes parecia pulsar de excitação. Nos pequenos momentos em que o ser de Samael a permitia respirar ela inspirava profundamente e tossia, o que quase os faziam [tanto a criatura quanto Samael] gozar imediatamente. Antes do fim do coito ou estupro, a criatura retirou as mãos do pescoço de Helena e, ao mesmo tempo, retirou o pênis de sua vagina. Bruscamente, a arrastou até o pé de uma castanheira que crescia naquele terreno ermo e sombrio. Encostou as costas da vítima na árvore, abaixou suas calcinhas até os joelhos e a levantou pelo pescoço. Com uma das mãos a enforcava e, com a outra, se masturbava. Não demorou muito e sua porra escorria entre as pernas alvas e sujas de Helena. Ela foi solta e caiu no chão, semi-acordada.
Antes de começar seu trabalho sussurrou em seu ouvido esquerdo: “eu sou a criatura das sombras, no escuro me mantenho, o Inferno é a única verdade em minha vida e, você, você é minha estrela da manhã”. Helena agora pertencia não apenas à criatura, mas também a Samael. A criatura não retirou sua calcinha, apenas a colocou de lado e lambeu sua boceta violentamente, como um cachorro faminto. H. não emitiu nenhum som, exceto talvez alguns pequenos gemidos, que pareciam conter mais prazer do que asco ou desespero. Depois disso, a criatura colocou seu pequeno corpo de quatro e enfiou seu caralho com tudo em seu cu. H. gritou, e imediatamente foi punida com um corte no rosto. “Não grite cadela”, disse a criatura. Helena foi enrabada ainda com as costas e a bunda sujas de terra. A criatura, por vezes, retirava seu pênis por completo do seu cu, o que dava a ela a idéia de que aquilo havia finalmente terminado, mas, em seguida, começava novamente, sem qualquer reconhecimento de sua dor e da extrema ardência que sentia, especialmente durante a primeira enterrada. Ao encerrar a longa fase da penetração anal Helena havia sujado o pau da criatura, que imediatamente ordenou que ela limpasse sua própria sujeira com a boca. Com algum asco, Helena foi obrigada a engolir seus próprios dejetos. A criatura a revirou novamente de frente e observou, com prazer, seus joelhos brancos ralados, bem como seu cotovelo e seu rosto sujos de terra. Logo as mãos da criatura se dirigiram ao seu pescoço, tão rapidamente como seu pênis penetrou sua boceta, que agora estava muito molhada. Ela a fodia e, ao mesmo tempo, a enforcava com as duas mãos, usando o peso de seu corpo. Tomava cuidado para, em certos momentos, liberar sua respiração, pois não desejava sua morte agora . Os olhos de H. estavam cheio de lágrimas, mas sua boceta às vezes parecia pulsar de excitação. Nos pequenos momentos em que o ser de Samael a permitia respirar ela inspirava profundamente e tossia, o que quase os faziam [tanto a criatura quanto Samael] gozar imediatamente. Antes do fim do coito ou estupro, a criatura retirou as mãos do pescoço de Helena e, ao mesmo tempo, retirou o pênis de sua vagina. Bruscamente, a arrastou até o pé de uma castanheira que crescia naquele terreno ermo e sombrio. Encostou as costas da vítima na árvore, abaixou suas calcinhas até os joelhos e a levantou pelo pescoço. Com uma das mãos a enforcava e, com a outra, se masturbava. Não demorou muito e sua porra escorria entre as pernas alvas e sujas de Helena. Ela foi solta e caiu no chão, semi-acordada.
Quando se recuperou plenamente estava recostada na castanheira, observou que em suas coxas havia um corte que ainda sangrava e delineava perfeitamente um símbolo: §. Estava com a calcinha nos joelhos e coberta por um líquido branco que já começava a ressecar. Não havia sinal da criatura. Com o indicador, Helena passou a ponta do dedo no líquido que estava em suas pernas e o levou até boca. O gosto era estranhamente doce, lembrando a saliva de alguém que tivesse comido algo adocicado há poucos minutos atrás.
Devotos de San Diego de Alcalá
24/01/2010
[panos vermelhos]
Chegamos em frente ao pet shop da esquina e ele não estava fechado. É difícil encontrá-lo aberto, pois dificilmente acordamos antes das 5 da tarde. Na loja, algumas tigelas para alimentar animais domésticos estavam à venda. Comprei uma tigela para gatos, embora ainda não houvesse decidido com precisão que tipo de animal estava do[a]mando – uma cachorra obediente, uma gata manhosa ou uma tigresa selvagem [unhas e dentes prontos para rasgar, e rasgam - brincadeira de filhote]. Porém, esse último animal ainda não me foi mostrado com clareza – ela o temia ou imaginava que eu o temesse –, embora eu o visse em pequenos deslizes, nas bordas dos olhos, nos cantos do corpo.
Não foram necessárias muitas cervejas: ela se apoiava de quatro na mesa. De quatro, mas não nua, uma única peça no corpo: um short, curto. Não peguei todos os instrumentos, apenas os que, na hora, me chamaram a atenção. Primeiro o chicote, pois precisava, como algum viciado, ver seu rabo vermelho, cortado e marcado; foi preciso retirar o short [apenas até os joelhos]. Ferir ou marcar as nádegas com um chicote é um vício sem tratamento e um prazer extraordinário: procurar pequenas diferenças entre as áreas a serem atingidas, mirar, explorá-las, calcular a força, observar quando a dor aumenta ou diminui, escutar os gritos e, enfim, chicotear diretamente o cu ou a região mais próxima.
Machucar o cu e em seguida lambe-lo e beijá-lo, exatamente como duas bocas apaixonadas se beijam longamente.
Não é sempre que posso privá-la de respirar, não por ela, mas por mim. A intensidade não pode ser completamente controlada, é como um CsO, no limite, leva a morte – e as vezes é exatamente o que queremos. Não importa, em seguida ela estava deitada no chão, com os olhos vendados [panos vermelhos]. Aguardava algo, sem saber o que. Urinei por todo o seu corpo, os peitos, a barriga, a buceta e a boca. A visão dela vendada e deitada sobre a poça me excitou demais e precisei fazer algo que não planejei. A coloquei de quatro e, ajoelhados na poça de mijo, meti no seu rabo até gozar. Ela gritou. Eu me levantei, ela permaneceu na mesma posição para se arrastar e encontrar o seu novo presente. Bebeu como uma cachorrinha em sua tigelinha felina. Sua imagem de quatro bebendo como um animal doméstico me deu ainda mais vontade de fude-la, precisei fuder seu cu novamente, e novamente gozei.
[pano branco]
Outro dia, outro fósforo, outra vida, outra cor, declarei [embriagado e dopado]: “hoje é meu dia de sentir dor”. E senti: palmatórias para as nádegas, unhas para as costas e braços, também para a tatuagem e o rosto, língua para o cu, humilhação para os ouvidos, cera quente de velas para as costas e a bunda, cinta, para finalmente enrabar [uma frase: “me machuca”]. Mas nada se compara aos meus olhos vedados [pano branco] e o líquido quente que escorre pelo corpo e pela cama, que entra na minha boca e molha o meu pênis. Ainda com o corpo cheio de urina, sorri, e dormi.
04/01/2010
Fechou todas as janelas, apesar do calor. Não podia suportar os insetos noturnos entrando em busca de luz. Uma serpente descansava sobre a mesa e foi então que tudo desabou. Longe, ele ouviu o refrão infantil que representava a sua carga:
“Meu coração está pesado
Porque mal posso fazer
Meu coração está quebrado”
A canção parou de repente. Perguntou-se: era uma canção de verdade? Era real? Ao que tudo indica, não.
E não parecia que houvesse feito realmente muita coisa nos últimos anos, além de provocar dor. Aprendeu essa arte, aproximou-se daqueles que a ela sucumbem com maior facilidade e a estendeu mais além – para a Vida. Começava a perceber claramente que sua maior habilidade agora lhe cobrava um preço e esse preço era sua sanidade. Enxergava nomes estranhos nas palavras, fazia anagramas e encontrava sempre os mesmos nomes próprios. Eram as pessoas a quem fez, faz e ainda vai fazer sofrer? Talvez. Escutava o barulho das máquinas funcionando com mais agudez e o suportava tão mal quanto às pequenas asas dos insetos dos quais estava fugindo. Seu olfato lhe pregava peças e o fazia sentir cheiros horríveis e irreais. Sentia o gelo crescer novamente em si (e a frase que uma vez manchou um de seus amores agora também o feria “ele nunca vai esquentar, e nem eu”). Sentia uma dor aguda que o cortava por todo o canto esquerdo do tórax e, por isso, fazia ferimentos no lado direito de seu corpo, na esperança vã de igualar as duas dores. Olhou-se no espelho cujo caminho sua própria ira mantinha aberto e viu seus olhos, mais uma vez, vermelhos (de maldade e choro).
Do ritual do suplício e das mil mortes, nenhum carrasco sai ileso.
“Meu coração está pesado
Porque mal posso fazer
Meu coração está quebrado”
A canção parou de repente. Perguntou-se: era uma canção de verdade? Era real? Ao que tudo indica, não.
E não parecia que houvesse feito realmente muita coisa nos últimos anos, além de provocar dor. Aprendeu essa arte, aproximou-se daqueles que a ela sucumbem com maior facilidade e a estendeu mais além – para a Vida. Começava a perceber claramente que sua maior habilidade agora lhe cobrava um preço e esse preço era sua sanidade. Enxergava nomes estranhos nas palavras, fazia anagramas e encontrava sempre os mesmos nomes próprios. Eram as pessoas a quem fez, faz e ainda vai fazer sofrer? Talvez. Escutava o barulho das máquinas funcionando com mais agudez e o suportava tão mal quanto às pequenas asas dos insetos dos quais estava fugindo. Seu olfato lhe pregava peças e o fazia sentir cheiros horríveis e irreais. Sentia o gelo crescer novamente em si (e a frase que uma vez manchou um de seus amores agora também o feria “ele nunca vai esquentar, e nem eu”). Sentia uma dor aguda que o cortava por todo o canto esquerdo do tórax e, por isso, fazia ferimentos no lado direito de seu corpo, na esperança vã de igualar as duas dores. Olhou-se no espelho cujo caminho sua própria ira mantinha aberto e viu seus olhos, mais uma vez, vermelhos (de maldade e choro).
Do ritual do suplício e das mil mortes, nenhum carrasco sai ileso.
03/01/2010
01/01/2010
2010? - Lei contra o cristianismo
Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888, pelo falso calendário).
Guerra de morte contra o vício: o vício é o cristianismo
Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.
Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais ríspidos com protestantes que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes liberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. Conseqüentemente, o maior dos criminosos é filósofo.
Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas.
Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.
Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala – ele será proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto.
Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.
Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.
Nietzsche – O Anticristo (1888).
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